Deixa eu dizer que te amo? Deixa eu gostar de você? Isso me acalma, me acolhe a alma, isso me ajuda a viver. Quase a mesma sensação. Quase o mesmo sentimento. Quase a mesma intensidade do sentimento e da sensação. Outra vez. Outra vez a tarântula no meu peito. Ela estava aqui, o tempo todo. Eu que às vezes tentava apaziguá-la. Sempre esteve aqui.
"... tinha suspirado, tinha beijado o papel devotamente! Era a primeira vez que lhe escreviam aquelas sentimentalidades, e o seu orgulho dilatava-se ao calor amoroso que saía delas, como um corpo ressequido que se estira num banho tépido; sentia um acréscimo de estima por si mesma, e parecia-lhe que entrava enfim numa existência superiormente interessante, onde cada hora tinha o seu encanto diferente, cada passo condizia a um êxtase, e a alma se cobria de um luxo radioso de sensações..."