27 de dez. de 2009

Sobre Alma de La Critique

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ELA esmurra a tela do computador, berrando:

- " Alma de louco! De quem não tem por onde, só tem onde e pra quem! Alma de devoção!"

A tela se racha, explode. A escrivaninha pega fogo. Suas mãos que até então sangravam, passaram a se incendiar. Ele desmaia, perde a razão. Seu corpo em chamas, sua alma frígida. Tinha perdido La Critique. Perdido... E foi preciso que sua epiderme se desfigurasse em carvão para que a alma se acendesse, novamente. E se acendeu.

Alma de La Critique.
Quem não tem? Chora, pois a chuva de agora de agora vai molhar as suas rosas, e a tristeza vai ter fim.
Quem tem? Bota ela pra fora, porque é hora, acabou a tempestade, pra chegar a claridade do amor.

2 de dez. de 2009

Sobre Símbolos

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          Sabe o que é prometer a você mesmo jamais voltar a um lugar, e depois de 1 ano e 2 meses voltar? Evitei ao máximo minha aproximação. Mantive distância. Voltar, seria reviver o passado. Reviver o passado é sofrer. Sofrer mais ainda. Sofrer mais do que se merece. Sofrer mais do que lhe é suportável. Mas chega uma hora que você se cansa. Você se cansa de tudo, de todos. Pergunta o motivo de se afastar daquele lugar, já que não há mais motivos. Já que tudo acabou. Não, não vai mais voltar. Quando você se pergunta isso, você vê que já se passaram 1 ano e 2 meses e que, outros símbolos que quando tudo era recente te incomodavam, já passam despercebidos. Mas que o símbolo principal, aquele que você nem pode ouvir o nome, não pode se lembrar da merda do filme que foi visto naquele dia, esse símbolo ainda te incomoda.

          Mas você tem que vencê-lo. Passar por cima. E é quando se vai com sua melhor amiga, dois dias seguidos, ver o mesmo filme. Não, não é o mesmo filme de 1 ano e 2 meses atrás. Nenhum cinema exibe o mesmo filme por 1 ano. Cinema. É tão clichê. Mas o que não é? Amar é um clichê, não se foge disso. Mas o pior, é você achar que tem peito pra encarar o símbolo, pra bater de frente, e quando se encara, recua desesperado. Mas já é tarde. O filme começou. Sua amiga está bastante empolgada. Você nem ia entrar, chegou na porta mas, quando ia comprar os ingressos, recuou. Só comprou pela amiga. Amizade é tudo, só amizade pra superar as piores coisas. E também por que não? Se eu não for me divertir, pelo menos ela vai se divertir, e eu vou me libertar desse símbolo. E pra provar pra si mesmo que se libertou, vai-se no dia seguinte outra vez. Mas vê-se que não se libertou. Porque não é recuperando o trauma do lugar que você vai se ver livre. Não quando se está trancado. E eu estou. Por dentro de você.

          Isso que acabei de contar ocorreu na semana passada. Hoje, na escola, selecionaram alguns alunos e os levaram para assistir uma Palestra na Câmara Municipal. Entre os selecionados estávamos eu e minha amiga. Até que não foi tão ruim quanto esperávamos. Teve uma ocasião que ri. Ri muito. Acho que foi uma das risadas mais gostosas da minha vida. Um ataque. Um ataque mesmo, durou cerca de 1 minuto. 1 minuto rindo, e tentando segurar o riso, pois estava-se em um lugar formal. Mas aquela menina era muito feia! Muito. Parecia um Elfo. E ri, ri mesmo.

        Quando chegou a noite, entrei na Internet. Você puxou assunto comentando sobre minha frase. Conversa vai, conversa vem... Há 1 ano e 2 meses. Tô cansado! Não foi a ida ao cinema que me fez esquecer. Isso talvez, porque não é pra esquecer. Devo esquecer. Quero e não quero esquecer. Só sei que encerrei a conversa com um comentário muito, muito ruim. Massacrei-me. Baixei a cabeça e não levantei mais. Não queria ver a sua resposta. E quano finalmente levanto a cabeça, você não respondeu nada. Ia sair, então você responde. Diz-me " igualmente, meu jovem ". Eu que tinha dito " saiba que ainda me importo com você ". Cinco ou seis lágrimas volumosas. E só. Fiquei seco. Ultimamente tenho estado muito seco. Preciso te ver. Sinto sua falta, por mais que eu saiba que te vendo ficarei mal por dias. Mas quero te ver e me obrigar a ficar bem. Só assim, forçando, talvez consiga algum progresso. Algum progresso que venho tentando e fracassado. Lembrei que tinha chocolate na bolsa. Comi metade da barra. Minha intenção era ficar bem. Mas o chocolate libera a cerotonina, e isso não me faria ficar ainda mais apaixonado? Não sei. Vou comer a outra metade. O resultado digo depois.

25 de nov. de 2009

Sobre Aquilo Que Sempre Esteve Aqui


Deixa eu dizer que te amo? Deixa eu gostar de você? Isso me acalma, me acolhe a alma, isso me ajuda a viver. Quase a mesma sensação. Quase o mesmo sentimento. Quase a mesma intensidade do sentimento e da sensação. Outra vez. Outra vez a tarântula no meu peito. Ela estava aqui, o tempo todo. Eu que às vezes tentava apaziguá-la. Sempre esteve aqui. 

"... tinha suspirado, tinha beijado o papel devotamente! Era a primeira vez que lhe escreviam aquelas sentimentalidades, e o seu orgulho dilatava-se ao calor amoroso que saía delas, como um corpo ressequido que se estira num banho tépido; sentia um acréscimo de estima por si mesma, e parecia-lhe que entrava enfim numa existência superiormente interessante, onde cada hora tinha o seu encanto diferente, cada passo condizia a um êxtase, e a alma se cobria de um luxo radioso de sensações..."

21 de nov. de 2009

Sobre Ser o Drama

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Sou drama, admito.

Crucificai-me, pai

Para que eu não possa mais pecar.

Pois deste minuto até o fim de minhas horas

Far-me-ei vivo ao pecado

E ao pecador.

Amém.

8 de nov. de 2009

Sobre a Xícara de Café

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Estávamos eu e a xícara de café quente. Uma esperando pela outra.

Godoy há não muito saiu do MSN, deixando-me pela comparação entre duas canções.

''Minha Vida'', na voz de Rita Lee.

''Outra Vez'', na voz de Ana Carolina.

- Elas são iguais... Ou não? Disse-me ele.

- Eu sei... Lá. Acho lindas, elas. Têm a mesma intensidade.

... Mas não são a mesma coisa.



'' De todos os amores e amigos, você é o que me lembro mais. ''

'' Você é a saudade que eu gosto de ter. Só assim sinto você bem perto de mim... Outra vez. ''



É, definitivamente, não são iguais.

Uma é declaração.

Um devaneio.

Uma lembrança.

A outra, um desabafo.

Uma confissão aos prantos.

Um desabafo de madrugada.

Tratam da mesma coisa de formas diferentes.

Mas não são iguais.


A xícara esfriou.



 Daniela Sampaio

23 de out. de 2009

Sobre Relâmpagos

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Sentou-se. A casa que até então permanecia na mais plena sonolência, começou a despertar, a falar... Era o vento; ele aproximou-se da janela e viu que nuvens espessas e negras cobriam o céu por um todo. Durou cerca de segundos para que as gotas geladas e pesadas começassem a pingar do céu, tão rápida e imperceptivelmente, que em instantes as vidraças já estavam encharcadas e o aguaceiro despencava impiedosamente... Ele ficou ali parado, ereto, observando e sentindo aquela força, a força do vento, a força da água, a força das pedras de gelo que despencavam e debatiam-se contra as vidraças... Abriu todas as janelas, e ficou ali, sentindo e ouvindo aquele ensurdecedor estardalhaço de trovões que tremiam o chão, aqueles relâmpagos tão penetrantes que rasgavam o céu como falsetes líricos; abriu os braços e deixou-se inundar-se daquela tempestiva sensação...

11 de out. de 2009

Sobre Há Um Ano

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Quero ter você bem mais que perto; com você eu sinto o céu aberto...

Engraçado como as coisas acontecem na vida da gente... Há exatamente 1 ano atrás, eu estava no mesmo estado sentimental de hoje. Considerando, é claro, que o estado era o mesmo mas, o momento era muito mais recente, muito mais precoce e, consequentemente as emoções estavam muito mais quentes, muito mais exaltadas, muito mais angustiantes, muito mais sufocantes. Engraçado também, como as coisas, nesse período, mudaram tanto e, agora, parece que não mudou nada. As coisas elevaram-se, depois diminuíram-se (em certo período, diminuíram-se tanto que, pensei nunca mais voltar a senti-las tão ofegantes novamente; pensei tê-las esquecido por completo), mas depois...

E quando eu finjo que esqueço, eu não esqueci nada... E cada fez que eu fujo eu me aproximo mais, e te perder de vista assim, é ruim demais...

1 de out. de 2009

Sobre Saudade

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Saudade dói. Arde. Não é como saudade de quando se era criança, esse tipo de saudade faz bem, às vezes. É uma saudade que dói. Incomoda. É como quando se está com dor de cabeça, e não tem remédio; você tenta se concentrar e controlar para que a dor vá embora; mas com a saudade é diferente (pelo menos a saudade que eu sinto), é como se quanto mais você tenta se concentrar em outra coisa (como se ainda estarei vivo amanhã), mais ela persiste em grudar em você. Sim, ela é persistente. Persistente e incômoda. E não tenho remédio para minha dor de cabeça; tampouco para minha saudade. E como para o que não tem remédio remediado está, fico assim, saudoso... Uma única coisa é certa: você é a saudade que eu gosto de ter. Só assim, sinto você bem perto de mim... Outra vez.

28 de set. de 2009

Sobre Uma Louca Tempestade

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" Eu quero partir de manhã. Eu quero seguir a estrela. Eu quero sentir o vento pela pele, um pensamento me fará: Uma Louca Tempestade..."

Choveu hoje. Forte. Uma tempestade. Louca. Uma louca tempestade. Mas antes acontecesse como diz a música:

" Eu quero ser uma tarde gris. Quero que achuva corra sobre um rio. O rio que por ruas corre em mim. As águas que me querem levar tão longe... Tão longe que me façam esquecer de ti."

A chuva não correu sobre um rio... O rio não passou por ruas em mim... As águas não me quiseram levar tão longe... E não; eu não esqueci de ti.

Sobre o Texto de Daniela Sampaio

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- Qual é a música mais bela do mundo?

- ...Outra Vez, de Roberto Carlos.

- Mas, por quê?

- Ah... Porque ela não é só “bela”. Ela não carrega os versos para que soem harmonicamente (ou, talvez, só um pouco). As estrofes não nasceram para ser uma rosa, de bonito aspecto e suave odor.

Esta canção carrega uma verdade absurda. Verdade, esta que, em confissão, admito não ter a coragem de repassar com tamanha garantia de palavra como ela fez.

Pretensiosamente, digo que o que me encantou foi a verdade, nessa letra de letras quase que desabadas sobre o papel. Não há nada mais que me chame tanta atenção, que não ela.

A verdade é linda.

Dura que é, fria que é, difícil que é... Carrega a beleza, cada vez mais rara, do mundo.

Alí, ela aconchega a história, a emoção, o devaneio - para poder guardá-los em si.

Disse o que disse e colocou a alma a tapa! Quem não riria de um galanteador apaixonado?

Porém, só amor é testemunha de tudo que passou antes de sua morte... só para nascer mais uma vez.

Disse todo esse rio pelo qual passou, toda essa dor da qual sentiu, toda essa saudade da qual sofreu, todo esse amor do qual morreu, E DISSE MAIS!

... Ela amaria tudo outra vez.

E pode até não ser a música mais bela do mundo, mas é a mais bela pra mim. E isso, basta.

20 de set. de 2009

Sobre Recolher os Cacos

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Tem tanta coisa por aí afora, que eu não consigo parar de querer experimentar. E não acaba nunca. Tem tanta coisa "aqui dentro", que uma hora, de tão grande, explode. E só no palco eu recolho os cacos.

Katia Manfredi

17 de set. de 2009

Sobre Textos com Interpretações Ambíguas

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          Eu estava lendo a postagem anterior, e achei coisas que nem tinham passado pela minha cabeça, quando escrevi. Quando escrevi, estava deitado, e veio à minha cabeça uma cena: a cena de um homem se debatendo contra uma parede; levantei, peguei o caderno e tentei descrever isso. Escrevi. Li. Quando reli novamente, achei que falta alguma coisa: o contexto; mas que já estava quase tudo pronto, tudo dizia por si. Quando escrevi: "Cego, se dirigiu para o banheiro" ; não pensei na possibilidade de ele ser/estar cego literalmente. Quando cogitei isso, boa parte das coisas já se esclareceram. No final, ELA diz: "Eu sei, porque eu vi". Esclareceu-se mais ainda! Cogitei que ele teria/poderia ter ficado cego, e não visto algo, ou visto e ter ficado cego depois. E ELA, que não chegou a ficar cega, viu tudo, por isso sabe que tudo já passou.
          Gosto de textos com ambíguas interpretações. Cada pessoa tira o que entendeu, o que ficou pra ela. Por isso o texto anterior vai ficar assim mesmo. Intacto. Tudo se diz por si só. O contexto, os onde, como, quem, cada qual interprete como quiser. Gosto disso.

16 de set. de 2009

Sobre Textos

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     Cego, se dirigiu para o banheiro. Entrou, ignorou sua imagem no espelho e apoiou ambas as mãos na parede. Sôfrego, com as sobrancelhas arqueadas, a boca seca e entreaberta, o rosto desfigurado numa expressão incompreensível; começou a esmurrar a parede, chutava, socava e debatia-se contra a mesma, gritando... ELA entrou ágil e desesperadamente, olhou-o por um segundo e logo atendeu ao primeiro impulso de acalmá-lo; em vão tentou afastá-lo da parede, mas ele parecia odiá-la e freneticamente a espancava.
     Suas mãos já sangravam e as veias do pescoço ameaçavam saltar pra fora da garganta a qualquer momento... ELA segurou-o firme, puxou-o com toda sua força para longe da parede, mas ele desvairado parecia não senti-la, e explosivamente continuava a gritar e se debater. ELA desesperava-se e finalmente conseguiu segurar suas mãos tresloucadas. Ele parou aos poucos, os gritos se transformaram em gemidos e, chorando, chorando abundantemente, chorando explosivamente, agarrou-se ao pescoço dela. Caíram no chão, ELA encostou-se na parede e o abraçou. Disse:
     – Calma... Já passou.
     Ele ainda chorava... Chorava e gritava; soluçava. Olhou pra ELA, e em voz baixa, rouca e tricotada, perguntou:
     – Como você sabe?
     ELA apenas olhou pra ele, acariciou-lhe e lhe comprimiu contra o peito... Assim... Ficou assim até que os soluços cessaram, bem devagar... Olhou novamente para ele, disse:
     – Eu sei, porque eu vi.

13 de set. de 2009

Sobre Versos

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Eu te quero
de um querer queimante
nada, nem ninguém, pode mudar
o que sinto ao ver o teu semblante.

Sinto meu peito pulsar oprimido
Sinto-me acuado, pecador
É crime, eu sei, ser tão desinibido...
Mas... que posso fazer se ao te ver
fico assim... estarrecido?

5 de set. de 2009

Sobre "Pecados Íntimos" (Little Children)

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           Hoje fui devolver "O Leitor", que eu tinha alugado ontem; resolvi alugar mais um. Achei outro, também da Kate Winslet. Sim, gosto dela. "Pecados Íntimos", é o nome do filme. Recebeu três Indicações ao Oscar. Kate Winslet foi Indicada ao Oscar de Melhor AtrizJackie Earle Haley ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante, o filme também foi Indicado ao Oscar de Melhor Roteiro Adaptado. Gostei do filme. Eu não assisti aos demais filmes que foram Indicados na Categoria de Melhor Atriz, por isso não posso discutir que Helen Mirren, que foi a vencedora pelo filme "A Rainha", não merecesse, e que o Oscar era pra ter ido pra Kate. A cena em que ela larga a filha no balanço, pra ir conversar com o pedófilo, e quando se volta a filha desaparece... É.  

Sobre Ouvir Ana Carolina de Madrugada

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Madrugada. Já é sábado. Eu tava lendo algumas coisas na Internet e ouvindo Ana Carolina. "N9ve". CD novo. Sim, eu comprei. Não, não tive pena de gastar R$19,99 para comprar N9ve, que saiu com 99.999 cópias de tiragem. Se é bom? É. São nove músicas. Sim, de início eu também pensei que ela sofria de T.O.C. (Transtorno Obsessivo Compulsivo), mas não, deve ser só viadagem... ou... lesbicagem.  

4 de set. de 2009

Sobre Conjuntivite e Filmes

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          Acabei de montar esse blog. Sobre o quê, especificamente, vão se tratar os textos aqui postados eu não sei (e nem quero) especificar. Costumo, e pretendo, escrever sobre tudo um pouco. Eu tô com conjuntivite. Há mais de duas semanas. Sim, é muito ruim. Procuro ocupar meu tempo com tudo que eu puder fazer. Hoje cismei de assistir um filme. Já tinha alguns títulos em mente, mas resolvi dar uma pesquisada na Internet pra ver se o que eu pretendia ver valeria mesmo a pena, e ver se achava também outros títulos interessantes. Fui à locadora,  e aluguei "O Leitor", e pretendia pegar outros, mas os dois ou três filmes que eu tinha em mente, eles não tinham. Uó. Levei somente esse. Muito bom! Recomendo. Kate Winslet ganhou o Oscar de Melhor Atriz.
         Quando um filme é Indicado ou Vencedor de algum Oscar, geralmente acham que o filme, ou a atuação, etc., sejam muito bons. Eu não estou dizendo que não sejam, estou dizendo que nem sempre condizem com o que o determinado filme, ou a determinada atuação mereçam. Concordo que na maioria das vezes, é uma coisa merecida, como foi o caso da Marion Cotillard, que ganhou o Oscar de Melhor Atriz, no filme "Piaf - Um Hino ao Amor", em 2008, que é uma biografia da cantora francesa Edith Piaf. Uma interpretação fantástica, única. O filme pode ser até um pouco cansativo. Triste. Mas gosto da produção como um todo. Ganhou também o Oscar de Melhor Maquiagem. Ai.