17 de set. de 2009

Sobre Textos com Interpretações Ambíguas

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          Eu estava lendo a postagem anterior, e achei coisas que nem tinham passado pela minha cabeça, quando escrevi. Quando escrevi, estava deitado, e veio à minha cabeça uma cena: a cena de um homem se debatendo contra uma parede; levantei, peguei o caderno e tentei descrever isso. Escrevi. Li. Quando reli novamente, achei que falta alguma coisa: o contexto; mas que já estava quase tudo pronto, tudo dizia por si. Quando escrevi: "Cego, se dirigiu para o banheiro" ; não pensei na possibilidade de ele ser/estar cego literalmente. Quando cogitei isso, boa parte das coisas já se esclareceram. No final, ELA diz: "Eu sei, porque eu vi". Esclareceu-se mais ainda! Cogitei que ele teria/poderia ter ficado cego, e não visto algo, ou visto e ter ficado cego depois. E ELA, que não chegou a ficar cega, viu tudo, por isso sabe que tudo já passou.
          Gosto de textos com ambíguas interpretações. Cada pessoa tira o que entendeu, o que ficou pra ela. Por isso o texto anterior vai ficar assim mesmo. Intacto. Tudo se diz por si só. O contexto, os onde, como, quem, cada qual interprete como quiser. Gosto disso.

Um comentário:

  1. Mas que belo ler um ''nascimento'' destes, rs.

    No começo, o grupo é sempre assim... Estranho, cheio de olhares curiosos, observações caladas pelo pouco tempo, olhares oblíquos...
    Aí o tempo passa, todos vão ficando menos estranhos, vão-se os olhares - agora já saciados e as observações transformam-se lindamente em trocas de ideias.


    Como é lindo o alvorecer de uma família de teatro. : )

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