Cego, se dirigiu para o banheiro. Entrou, ignorou sua imagem no espelho e apoiou ambas as mãos na parede. Sôfrego, com as sobrancelhas arqueadas, a boca seca e entreaberta, o rosto desfigurado numa expressão incompreensível; começou a esmurrar a parede, chutava, socava e debatia-se contra a mesma, gritando... ELA entrou ágil e desesperadamente, olhou-o por um segundo e logo atendeu ao primeiro impulso de acalmá-lo; em vão tentou afastá-lo da parede, mas ele parecia odiá-la e freneticamente a espancava.
Suas mãos já sangravam e as veias do pescoço ameaçavam saltar pra fora da garganta a qualquer momento... ELA segurou-o firme, puxou-o com toda sua força para longe da parede, mas ele desvairado parecia não senti-la, e explosivamente continuava a gritar e se debater. ELA desesperava-se e finalmente conseguiu segurar suas mãos tresloucadas. Ele parou aos poucos, os gritos se transformaram em gemidos e, chorando, chorando abundantemente, chorando explosivamente, agarrou-se ao pescoço dela. Caíram no chão, ELA encostou-se na parede e o abraçou. Disse:
– Calma... Já passou.
Ele ainda chorava... Chorava e gritava; soluçava. Olhou pra ELA, e em voz baixa, rouca e tricotada, perguntou:
– Como você sabe?
ELA apenas olhou pra ele, acariciou-lhe e lhe comprimiu contra o peito... Assim... Ficou assim até que os soluços cessaram, bem devagar... Olhou novamente para ele, disse:
– Eu sei, porque eu vi.
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